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Felipe FerreiraAdvocacia de Trânsito

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Art. 165 do CTB · Álcool ao volante

Bafômetro positivo: o que o art. 165 abre e o que o auto precisa provar

A autuação por álcool não termina na multa. Ela abre um processo de suspensão do direito de dirigir que corre em paralelo — e, acima de certo índice, um processo criminal separado.

R$ 2.934,70multa · gravíssima × 10
12 mesesde suspensão do direito de dirigir
R$ 5.869,40se houver reincidência em 12 meses
30 diasmínimo para a defesa
Calculadora gratuitaCalcule o valor considerado do seu etilômetroAbrir a calculadora

O que diz o art. 165

Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência é infração gravíssima, com multa multiplicada por dez — R$ 2.934,70 — e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. As medidas administrativas são o recolhimento do documento de habilitação e a retenção do veículo. Se houver nova autuação pelo mesmo artigo dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro.

O CTB pune qualquer concentração de álcool (art. 276). É a Resolução CONTRAN nº 432/2013 que define como essa concentração se comprova e quanto se desconta de margem de erro do aparelho.

Um fato, até três processos

O que corre em paralelo
  • Processo da multa — defesa da autuação, recurso à JARI e recurso ao CETRAN-SP.
  • Processo de suspensão — instaurado à parte, com notificação e prazo próprios. Perder um não faz o outro desaparecer.
  • Processo criminal — quando a medição alcança o índice do crime do art. 306 do CTB (Res. 432/2013, art. 7º: 0,34 mg/L de ar alveolar), o mesmo fato vira inquérito e ação penal, com defesa própria.

O número do visor não é o número que vale

O etilômetro tem um erro máximo admissível, e a Resolução 432/2013 manda descontá-lo da medição. O resultado dessa conta é o valor considerado, que precisa constar do auto de infração ao lado da medição realizada.

Medição realizadaErro máximo admissível descontado
abaixo de 0,40 mg/L0,032 mg/L
de 0,40 a 2,00 mg/L8% da medição
acima de 2,00 mg/L30% da medição

Res. CONTRAN 432/2013, Anexo I — valor considerado com duas casas decimais, desprezando as demais, sem arredondamento.

O que o auto de infração precisa trazer

O art. 8º da Resolução 432/2013 lista o conteúdo obrigatório do auto. Quando houve teste, entre outros itens:

  • marca, modelo e número de série do etilômetro;
  • número do teste, medição realizada, valor considerado e limite regulamentado;
  • identificação de testemunhas, quando houver;
  • os documentos e laudos citados, anexados ao processo.

Sem teste, a autuação pode se apoiar em sinais de alteração da capacidade psicomotora. Nesse caso a norma exige a descrição dos sinais observados — e um conjunto deles, não um sinal isolado (Res. 432/2013, art. 5º). A ausência de um requisito não decide o processo sozinha: ela desloca a discussão do mérito para a validade do ato, e isso se examina no documento, item por item.

Posso continuar dirigindo?

Sim, enquanto houver defesa ou recurso apresentado dentro do prazo. A Resolução CONTRAN nº 723/2018 (art. 10, § 1º) garante efeito suspensivo: a penalidade só é cumprida depois de encerrada a via administrativa. Por isso o prazo é o ponto mais sensível de todo o caso.

Perguntas frequentes

Recusei o bafômetro. É a mesma coisa que o art. 165?
Não. A recusa é a infração autônoma do art. 165-A, com as mesmas penalidades administrativas, mas sem presunção de embriaguez. Veja a página Recusa ao bafômetro.
Fui autuado de novo dentro de 12 meses. O que muda?
A multa é aplicada em dobro (R$ 5.869,40) e a reincidência no art. 165 em 12 meses é hipótese de cassação da habilitação (CTB, art. 263, II).
Se o processo criminal for arquivado, a multa cai?
Não automaticamente. As esferas administrativa e penal correm separadas, cada uma com suas regras de prova e seus prazos.
Quanto tempo tenho para me defender?
O prazo vem impresso na notificação. Para a defesa no processo de suspensão, não pode ser inferior a 30 dias contados da notificação (Res. CONTRAN 723/2018, art. 6º).

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